Meu ex-trabalho corporativo – Por que eu dei adeus?

Olá gente! Hoje eu começo a narrar a “saga” que me levou a abandonar o trabalho em multinacionais para iniciar uma jornada de empreendedorismo. A princípio, eu acho importante dizer que conquistar um emprego em uma grande corporação tem sim diversas vantagens – aprendizado, networking, crescimento, imersão cultural e profissional, para alguns, viagens, conquista de prêmios, apenas para citar algumas. Não à toa, esse é o sonho da maioria das mulheres que almejam a independência profissional e financeira, além da realização pessoal que só é conseguida quando descobrimos o quão longe nosso potencial pode nos levar.      

No meu caso, por exemplo, a carreira em multinacionais trouxe uma série de conquistas das quais me orgulho, e tenho certeza de que sem elas eu jamais teria conhecimento suficiente para empreender. Digo isso porque, durante os anos em que estive no mercado corporativo, sempre precisei lidar com adversidades, mudanças, planejamentos e tomadas de decisões; era algo constante em minha rotina. Evidentemente, esse ambiente repleto de mutações e responsabilidades acabou me transformando em uma profissional cada vez mais destemida, além de ter agregado conhecimentos indispensáveis para que eu pudesse criar e gerir meu próprio negócio. Nunca tive medo de chamar um problema de “meu”. Acho que esse foi um dos pontos que me destacou. Fugir dos problemas nunca foi parte do meu perfil.

Mas é claro que nem tudo são flores – com o perdão do clichê! É como dizem: para tudo que se ganha, em algo também se perde. Embora eu gostasse de diversos aspectos do trabalho corporativo, outros, porém, me deixavam extremamente desgastada, como a agenda intensa de reuniões intermináveis. Muitas delas em outros países.

Oba mais uma viagem, será ótima! – Só que não =(

Como o próprio nome indica, uma multinacional atua em mercados de diversas nações, muitas das quais estão em outros continentes. Portanto, estar em uma corporação desse porte exige a disponibilidade para viajar constantemente, gerenciar agendas de reuniões com diversos fusos horários – às vezes isso pode ser um pequeno pesadelo! – e, ainda, se acostumar aos terríveis efeitos do jet lag: aquele desequilíbrio no ritmo biológico acompanhado de mal estar físico e mental devido às diferenças de horário durante uma viagem a outro país.

Viajar a passeio é maravilhoso, mas a trabalho nem sempre. Descer do avião de jeans e tênis, com aquela cara de quem mal dormiu, ter que passar no banheiro do aeroporto e sair de lá transformada na executiva! Entrar no carro do colega que fez a gentileza de te buscar no aeroporto e ir direto para a reunião. Sim, muitas vezes isso acontece.

Com a rotina das reuniões internacionais você precisa gerir o tempo da melhor maneira possível e, claro, falar com o maior número de pessoas para resolver os temas pessoalmente. Com isso, cadê o tempo para passear?!?! Com sorte você consegue um final de semana no meio da viagem e conhece um ou outro ponto turístico...

Resultado: ao voltar para casa, eu estava esgotada e precisava retomar a rotina na corporação. Era como ter um cotidiano duplicado.

E havia um segundo detalhe que deixava tudo ainda mais complexo: nos meus últimos cargos eu precisava lidar com transições, ou seja, momentos em que a corporação estava implementando mudanças significativas em sua cultura organizacional, transformando áreas ou fechando negócios decisivos para sua expansão no mercado. Nessas “fases”, o tempo era ainda mais escasso e quando a gente achava que tudo iria terminar... Uma nova transição pela frente!

Não que eu não gostasse de uma boa aventura e de mudanças, mas a cada dia a cobrança de estar mais presente em casa era maior e eu me sentia responsável por não ver as coisas, mesmo que pequenas, acontecerem em casa. Eu queria estar lá também!

Essa sensação foi aumentando e com ela a vontade de ter mais tempo para mim e para minha família. Por fim, eu decidi dar adeus ao trabalho corporativo após dez anos de uma bela carreira.  Tal adeus não significou apenas fechar um capítulo da minha vida, mas começar outro; um capítulo no qual eu mesma poderia traçar o roteiro e aplicar no meu próprio negócio todo o aprendizado adquirido ao longo de tanto anos. Mas os pormenores deste novo capítulo ficam para os próximos posts. Até lá!

Um beijo

Nalu.

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